{"id":18186,"date":"2026-08-12T13:54:44","date_gmt":"2026-08-12T16:54:44","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/?p=18186"},"modified":"2026-08-12T13:54:44","modified_gmt":"2026-08-12T16:54:44","slug":"pesquisa-brasileira-desenvolve-material-biotecnologico-capaz-de-eliminar-corantes-toxicos-da-agua-em-minutos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/2026\/08\/12\/pesquisa-brasileira-desenvolve-material-biotecnologico-capaz-de-eliminar-corantes-toxicos-da-agua-em-minutos\/","title":{"rendered":"Pesquisa brasileira desenvolve material biotecnol\u00f3gico capaz de eliminar corantes t\u00f3xicos da \u00e1gua em minutos"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>Estudo desenvolvido no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biotecnologia da Univates combina quitosana, argila e uma enzima f\u00fangica para criar sistema sustent\u00e1vel de tratamento de efluentes, sem uso de reagentes t\u00f3xicos<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Esta pesquisa cont\u00e9m um gloss\u00e1rio ao fim, que explica os termos t\u00e9cnicos empregados no texto, mantidos para fortalecer a precis\u00e3o conceitual da not\u00edcia&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biotecnologia da Universidade do Vale do Taquari &#8211; Univates, em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e a Universidade de Aveiro, em Portugal, desenvolveram um sistema capaz de degradar completamente dois corantes sint\u00e9ticos amplamente usados na ind\u00fastria t\u00eaxtil \u2013 o azul de bromofenol e o vermelho de fenol &#8211; em apenas quatro minutos de rea\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, intitulado <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0141813026032186\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Immobilized laccase on chitosan\u2013clay beads: an efficient system for synthetic dye removal&#8221;<\/em> (&#8220;Lacase imobilizada em beads de quitosana-argila: um sistema eficiente para remo\u00e7\u00e3o de corantes sint\u00e9ticos)<\/a>, foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em>International Journal of Biological Macromolecules<\/em> e assinado por J\u00e9ssica Samara Herek dos Santos, autora principal e correspondente do trabalho, ao lado de Ani Caroline Weber, Joana Willrich, Ana Maria Ferreira, Ana Paula Mora Tavares, Claucia Fernanda Volken de Souza, Valeriano Antonio Corbellini, Odorico Konrad, Elisete Maria de Freitas e Luc\u00e9lia Hoehne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa nasceu do fato de que milh\u00f5es de toneladas de corantes s\u00e3o produzidas todos os anos no mundo, e cerca de 15% desse volume \u00e9 descartado sem tratamento adequado, contaminando rios, lagos e solos. O novo sistema prop\u00f5e uma alternativa limpa, barata e reutiliz\u00e1vel para reduzir o problema, utilizando uma enzima chamada lacase presa a pequenas esferas (beads) feitas de quitosana e argila.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O problema: corantes que a natureza n\u00e3o consegue decompor<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Corantes sint\u00e9ticos como o azul de bromofenol e o vermelho de fenol pertencem \u00e0 classe qu\u00edmica dos trifenilmetanos e s\u00e3o amplamente utilizados na ind\u00fastria t\u00eaxtil e como indicadores de pH em laborat\u00f3rios. O grande obst\u00e1culo ambiental est\u00e1 justamente na perenidade qu\u00edmica dessas mol\u00e9culas: suas estruturas arom\u00e1ticas altamente est\u00e1veis fazem com que sejam recalcitrantes, ou seja, muito resistentes \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o natural, o que agrava seu impacto quando lan\u00e7adas em corpos d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos ecotoxicol\u00f3gicos citados na pesquisa indicam que o vermelho de fenol apresenta potencial citot\u00f3xico, inibindo o crescimento de c\u00e9lulas renais e podendo, em concentra\u00e7\u00f5es elevadas ou exposi\u00e7\u00e3o prolongada, apresentar efeitos carcinog\u00eanicos. J\u00e1 o azul de bromofenol tem alta solubilidade em \u00e1gua, o que favorece sua persist\u00eancia na coluna d&#8217;\u00e1gua e prolonga a exposi\u00e7\u00e3o de organismos aqu\u00e1ticos aos seus efeitos t\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, os m\u00e9todos convencionais de tratamento de efluentes, como processos f\u00edsico-qu\u00edmicos tradicionais, t\u00eam se mostrado pouco eficientes, o que impulsiona a busca por alternativas mais sustent\u00e1veis, alinhadas \u00e0 Agenda 2030 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A solu\u00e7\u00e3o: uma enzima &#8220;presa&#8221; em esferas de quitosana e argila<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta encontrada pela equipe est\u00e1 na cat\u00e1lise enzim\u00e1tica, um processo em que enzimas, prote\u00ednas capazes de acelerar rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, promovem a oxida\u00e7\u00e3o e a posterior degrada\u00e7\u00e3o de poluentes. Entre as enzimas mais promissoras para essa finalidade est\u00e3o as lacases, capazes de degradar um amplo espectro de micropoluentes, incluindo corantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que enzimas livres em solu\u00e7\u00e3o s\u00e3o caras, inst\u00e1veis e dif\u00edceis de reaproveitar. Por isso, a pesquisa investiu na chamada imobiliza\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica, a fixa\u00e7\u00e3o da lacase a um suporte s\u00f3lido, que permite reutiliz\u00e1-la v\u00e1rias vezes e aumenta sua estabilidade frente a varia\u00e7\u00f5es de temperatura, pH e tempo de armazenamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O suporte escolhido pelos pesquisadores para os testes foi um material h\u00edbrido composto por quitosana \u2013 um biopol\u00edmero extra\u00eddo de res\u00edduos de crust\u00e1ceos marinhos, renov\u00e1vel e biocompat\u00edvel \u2013, combinada com argila bentonita (montmorilonita), formando pequenas esferas porosas. A grande inova\u00e7\u00e3o do trabalho est\u00e1 no agente usado para &#8220;costurar&#8221; essas esferas: o \u00e1cido c\u00edtrico, um composto n\u00e3o t\u00f3xico e biocompat\u00edvel, empregado como \u00fanico agente de reticula\u00e7\u00e3o (<em>crosslinking<\/em>), sem a necessidade de glutaralde\u00eddo ou outros reagentes qu\u00edmicos perigosos, tradicionalmente usados nesse tipo de processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como destacam os autores no artigo, o uso exclusivo do \u00e1cido c\u00edtrico como \u00fanico agente de reticula\u00e7\u00e3o em suportes h\u00edbridos de quitosana-argila para imobiliza\u00e7\u00e3o de lacase ainda n\u00e3o havia sido relatado em condi\u00e7\u00f5es compar\u00e1veis, o que caracteriza o ineditismo cient\u00edfico da abordagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas formula\u00e7\u00f5es principais foram testadas, variando a propor\u00e7\u00e3o entre quitosana e argila: a <strong>CC2\/1<\/strong> (propor\u00e7\u00e3o 2:1) e a <strong>CC2.5\/0.5<\/strong> (propor\u00e7\u00e3o 2,5:0,5). Foi a compara\u00e7\u00e3o que permitiu \u00e0 equipe avaliar como a composi\u00e7\u00e3o do suporte influencia a efici\u00eancia da imobiliza\u00e7\u00e3o e o desempenho catal\u00edtico do sistema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os principais resultados: rapidez, robustez e reaproveitamento<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Alta efici\u00eancia de imobiliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O suporte CC2\/1 se destacou como a formula\u00e7\u00e3o mais eficiente, alcan\u00e7ando um rendimento de imobiliza\u00e7\u00e3o de 93%. Ou seja, quase toda a enzima dispon\u00edvel foi efetivamente retida na estrutura das esferas, com perdas m\u00ednimas para a solu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, esse suporte apresentou uma efici\u00eancia de imobiliza\u00e7\u00e3o de 210%, um valor expressivo que, segundo os pesquisadores, est\u00e1 associado a mudan\u00e7as no microambiente proporcionado pelo suporte, que favorecem uma orienta\u00e7\u00e3o mais adequada da enzima e uma melhor acessibilidade ao seu s\u00edtio catal\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Degrada\u00e7\u00e3o completa dos corantes em minutos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado mais chamativo do estudo diz respeito \u00e0 velocidade de degrada\u00e7\u00e3o dos corantes. Enquanto a enzima livre (n\u00e3o imobilizada) degradou apenas 6% do vermelho de fenol e 8% do azul de bromofenol ap\u00f3s 20 minutos de rea\u00e7\u00e3o, o sistema imobilizado no suporte CC2\/1 promoveu a degrada\u00e7\u00e3o completa de ambos os corantes em apenas 4 minutos. J\u00e1 a formula\u00e7\u00e3o CC2.5\/0.5 atingiu o mesmo patamar de degrada\u00e7\u00e3o, por\u00e9m em 20 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores explicam essa diferen\u00e7a de desempenho pela arquitetura f\u00edsico-qu\u00edmica do suporte. A matriz de quitosana-argila cria um microambiente poroso e hidrof\u00edlico que facilita a difus\u00e3o do corante at\u00e9 o s\u00edtio ativo da enzima, enquanto a reticula\u00e7\u00e3o com \u00e1cido c\u00edtrico introduz grupos carboxila que aumentam a rigidez da rede e estabilizam a conforma\u00e7\u00e3o da enzima. Al\u00e9m disso, foi constatado que a remo\u00e7\u00e3o da cor n\u00e3o decorreu de simples adsor\u00e7\u00e3o f\u00edsica do corante pela quitosana (que naturalmente tem essa capacidade), mas sim da transforma\u00e7\u00e3o qu\u00edmica oxidativa promovida pela enzima, o que foi confirmado pela redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de compostos fen\u00f3licos, medida por m\u00e9todo colorim\u00e9trico espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Resist\u00eancia a varia\u00e7\u00f5es de temperatura e pH<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro achado relevante da pesquisa \u00e9 o aumento da toler\u00e2ncia da enzima a condi\u00e7\u00f5es extremas depois de imobilizada. A lacase livre apresentou atividade m\u00e1xima em condi\u00e7\u00f5es \u00e1cidas \u2013 comportamento t\u00edpico de lacases f\u00fangicas. Ap\u00f3s a imobiliza\u00e7\u00e3o, esse perfil \u00e1cido de atividade m\u00e1xima foi mantido, mas com um alargamento importante da faixa de pH em que a enzima permanece ativa, chegando a manter atividade significativa mesmo em pH extremamente \u00e1cido (pH 2), o que n\u00e3o ocorre com a enzima livre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista t\u00e9rmico, a enzima imobilizada tamb\u00e9m se mostrou mais resistente ao calor. Testes de inativa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, conduzidos entre 68\u00b0C e 75\u00b0C, mostraram que a meia-vida da enzima imobilizada (tempo necess\u00e1rio para que a atividade caia \u00e0 metade) chegou a ser at\u00e9 4,7 vezes maior do que a da enzima livre, dependendo da temperatura testada. O ganho de estabilidade foi atribu\u00eddo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma rede r\u00edgida entre enzima e suporte, que restringe a mobilidade molecular respons\u00e1vel pela desnatura\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Longa vida \u00fatil em armazenamento<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viabilidade de armazenamento tamb\u00e9m foi avaliada ao longo de 180 dias (seis meses), sob refrigera\u00e7\u00e3o (4\u00b0C) e \u00e0 temperatura ambiente (25\u00b0C). Sob refrigera\u00e7\u00e3o, o suporte CC2\/1 manteve 95% de sua atividade inicial ap\u00f3s 90 dias e ainda conservava 79% de atividade ap\u00f3s seis meses de armazenamento \u2013 um resultado importante se comparado \u00e0 enzima livre, que perdeu mais de 90% de sua atividade no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiosamente, os pesquisadores observaram um aumento tempor\u00e1rio na atividade enzim\u00e1tica durante os primeiros 30 dias de armazenamento refrigerado, fen\u00f4meno atribu\u00eddo a uma esp\u00e9cie de &#8220;fase de matura\u00e7\u00e3o&#8221; p\u00f3s-imobiliza\u00e7\u00e3o, na qual ocorrem ajustes graduais na intera\u00e7\u00e3o entre a enzima e o suporte que favorecem sua conforma\u00e7\u00e3o catal\u00edtica ideal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reutiliza\u00e7\u00e3o por at\u00e9 dez ciclos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos aspectos mais relevantes para a viabilidade pr\u00e1tica e econ\u00f4mica do sistema \u00e9 a possibilidade de reutiliza\u00e7\u00e3o. Os testes mostraram que, nos tr\u00eas primeiros ciclos de uso, n\u00e3o houve perda significativa de efici\u00eancia na degrada\u00e7\u00e3o dos corantes. Ap\u00f3s cinco ciclos consecutivos, o suporte CC2\/1 ainda mantinha altos percentuais de degrada\u00e7\u00e3o para ambos os corantes. Mesmo depois de dez ciclos completos de reutiliza\u00e7\u00e3o, o sistema ainda apresentava capacidade residual de degrada\u00e7\u00e3o, especialmente para o vermelho de fenol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses resultados no contexto de uso repetido s\u00e3o um diferencial importante, j\u00e1 que reduz os custos operacionais de um eventual sistema de tratamento de efluentes em escala industrial, uma das principais barreiras para a ado\u00e7\u00e3o de processos enzim\u00e1ticos no setor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Seguran\u00e7a ambiental comprovada com microcrust\u00e1ceos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m da efic\u00e1cia de degrada\u00e7\u00e3o, a equipe se preocupou em responder a uma pergunta derivada: os subprodutos gerados pela degrada\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica s\u00e3o realmente menos t\u00f3xicos do que os corantes originais? Para isso, foram realizados testes de toxicidade aguda utilizando <em>Artemia salina<\/em>, um microcrust\u00e1ceo marinho amplamente empregado como bioindicador em estudos de ecotoxicologia por sua sensibilidade e reprodutibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram promissores: antes do tratamento, o azul de bromofenol apresentava toxicidade aguda relevante (concentra\u00e7\u00e3o letal para 50% dos organismos: LC\u2085\u2080\/de 36 mg\/L), assim como o vermelho de fenol (LC\u2085\u2080 de 54 mg\/L). Ap\u00f3s o tratamento enzim\u00e1tico, a toxicidade do azul de bromofenol caiu de forma expressiva, com LC\u2085\u2080 subindo para 56 mg\/L (suporte CC2\/1) e 59 mg\/L (suporte CC2.5\/0.5), quanto maior o valor de LC\u2085\u2080, menor a toxicidade. J\u00e1 para o vermelho de fenol, n\u00e3o foi detectada mortalidade significativa dos organismos em nenhuma das concentra\u00e7\u00f5es testadas ap\u00f3s o tratamento, sugerindo que os produtos de degrada\u00e7\u00e3o praticamente n\u00e3o apresentam mais toxicidade aguda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ressaltam os autores, essa \u00e9 uma etapa frequentemente negligenciada em estudos de degrada\u00e7\u00e3o de poluentes: &#8220;a degrada\u00e7\u00e3o de poluentes org\u00e2nicos por enzimas imobilizadas n\u00e3o garante necessariamente uma redu\u00e7\u00e3o de seus riscos ambientais, j\u00e1 que os produtos de degrada\u00e7\u00e3o podem ser igualmente ou at\u00e9 mais t\u00f3xicos do que o composto original&#8221;, por isso a import\u00e2ncia de aliar testes de descolora\u00e7\u00e3o a ensaios ecotoxicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caracteriza\u00e7\u00e3o f\u00edsico-qu\u00edmica confirma a forma\u00e7\u00e3o do material h\u00edbrido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para comprovar que o material realmente se formou como planejado, a equipe utilizou duas t\u00e9cnicas de caracteriza\u00e7\u00e3o complementares: espectroscopia de infravermelho por transformada de Fourier (FT-IR) e microscopia eletr\u00f4nica de varredura (MEV). As an\u00e1lises de FT-IR confirmaram a presen\u00e7a de bandas caracter\u00edsticas tanto da quitosana quanto da argila montmorilonita, apresentando a forma\u00e7\u00e3o bem-sucedida do material h\u00edbrido, al\u00e9m de ind\u00edcios da presen\u00e7a de grupos de carboxilato originados do \u00e1cido c\u00edtrico usado na reticula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 as imagens de microscopia eletr\u00f4nica revelaram diferen\u00e7as visuais n\u00edtidas entre os suportes antes e depois da imobiliza\u00e7\u00e3o da enzima. As esferas n\u00e3o funcionalizadas apresentaram superf\u00edcies rugosas, heterog\u00eaneas e com microporosidade evidente, caracter\u00edsticas de materiais comp\u00f3sitos organo-inorg\u00e2nicos; ap\u00f3s a imobiliza\u00e7\u00e3o da lacase, as superf\u00edcies se tornaram visivelmente mais compactas e menos heterog\u00eaneas, um ind\u00edcio indireto da presen\u00e7a da enzima e de rearranjos na matriz polim\u00e9rica durante o processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essa pesquisa importa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho se conecta diretamente a tr\u00eas Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da ONU: o ODS 6 (\u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento), o ODS 9 (ind\u00fastria, inova\u00e7\u00e3o e infraestrutura) e o ODS 12 (consumo e produ\u00e7\u00e3o respons\u00e1veis). Quando elimina a necessidade de reagentes t\u00f3xicos como o glutaralde\u00eddo, amplamente utilizado em processos convencionais de imobiliza\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica, o estudo prop\u00f5e um caminho mais seguro tanto para quem manuseia o material em laborat\u00f3rio ou ind\u00fastria quanto para o meio ambiente que recebe os efluentes tratados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista pr\u00e1tico, o sistema desenvolvido re\u00fane caracter\u00edsticas raramente encontradas juntas em um \u00fanico biocatalisador, sendo a velocidade de rea\u00e7\u00e3o (degrada\u00e7\u00e3o completa em poucos minutos), a robustez frente a condi\u00e7\u00f5es adversas de temperatura e pH, capacidade de reutiliza\u00e7\u00e3o por m\u00faltiplos ciclos, longa vida \u00fatil em armazenamento e, sobretudo, comprova\u00e7\u00e3o de que o processo realmente reduz a toxicidade dos poluentes tratados, e n\u00e3o apenas sua colora\u00e7\u00e3o vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como concluem os pr\u00f3prios autores, &#8220;esses resultados estabelecem o biocomp\u00f3sito de quitosana-argila desenvolvido neste estudo como uma plataforma verde e confi\u00e1vel para a remedia\u00e7\u00e3o de \u00e1guas residuais e outras biotecnologias ambientais&#8221;. Os pesquisadores destacam ainda que, embora os resultados sejam promissores, etapas futuras, como a identifica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica exata dos produtos de degrada\u00e7\u00e3o por t\u00e9cnicas de cromatografia e espectrometria de massas, ainda s\u00e3o necess\u00e1rias para elucidar completamente os caminhos de oxida\u00e7\u00e3o envolvidos no processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ficha t\u00e9cnica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>T\u00edtulo original:<\/strong> Immobilized laccase on chitosan\u2013clay beads: an efficient system for synthetic dye removal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Peri\u00f3dico:<\/strong> International Journal of Biological Macromolecules<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autora correspondente:<\/strong> J\u00e9ssica Samara Herek dos Santos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Demais autores:<\/strong> Ani Caroline Weber, Joana Willrich, Ana Maria Ferreira, Ana Paula Mora Tavares, Claucia Fernanda Volken de Souza, Valeriano Antonio Corbellini, Odorico Konrad, Elisete Maria de Freitas e Luc\u00e9lia Hoehne<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Institui\u00e7\u00f5es envolvidas:<\/strong> Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biotecnologia da Universidade do Vale do Taquari (Univates, Lajeado\/RS); Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ambiente e Desenvolvimento da Univates; Departamento de F\u00edsica e Qu\u00edmica da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc); CICECO \u2013 Departamento de Qu\u00edmica da Universidade de Aveiro (Portugal)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Financiamento:<\/strong> Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Universidade do Vale do Taquari (Univates) e Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia (FCT), de Portugal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DOI: <\/strong><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ijbiomac.2026.153278\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ijbiomac.2026.153278<\/a>.<br><br><strong>Gloss\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bioindicador<\/strong>: organismo vivo (no caso deste estudo, o microcrust\u00e1ceo <em>Artemia salina<\/em>) utilizado para avaliar, por meio de sua resposta biol\u00f3gica, os efeitos t\u00f3xicos de uma subst\u00e2ncia ou de um ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Biocatalisador<\/strong>: agente de origem biol\u00f3gica (como uma enzima) capaz de acelerar rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas sem ser consumido no processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Biopol\u00edmero: <\/strong>biopol\u00edmeros s\u00e3o grandes mol\u00e9culas (pol\u00edmeros) criadas por seres vivos ou feitas de fontes naturais renov\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ecotoxicologia<\/strong>: \u00e1rea da ci\u00eancia que estuda os efeitos t\u00f3xicos de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sobre organismos vivos e ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enzima<\/strong>: prote\u00edna capaz de acelerar (catalisar) rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas espec\u00edficas, sem ser consumida durante o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Imobiliza\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica<\/strong>: t\u00e9cnica que consiste em fixar uma enzima a um suporte s\u00f3lido (como um pol\u00edmero ou material comp\u00f3sito), permitindo sua reutiliza\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplos ciclos e aumentando sua estabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lacase<\/strong>: enzima da classe das oxidases multicobre, produzida naturalmente por fungos, capaz de oxidar diversos compostos org\u00e2nicos, incluindo corantes e outros poluentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LC\u2085\u2080 (concentra\u00e7\u00e3o letal mediana)<\/strong>: concentra\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia capaz de causar a morte de 50% de uma popula\u00e7\u00e3o de organismos testados em um ensaio de toxicidade; quanto maior o valor, menor a toxicidade da subst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Micropoluente<\/strong>: subst\u00e2ncia qu\u00edmica presente em baixas concentra\u00e7\u00f5es no ambiente (como corantes, f\u00e1rmacos e pesticidas), mas que pode causar impactos significativos \u00e0 sa\u00fade e aos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Multicobre (enzima)<\/strong>: enzima cuja atividade catal\u00edtica depende da presen\u00e7a de \u00e1tomos de cobre em sua estrutura, essenciais para os processos de transfer\u00eancia de el\u00e9trons durante a rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quitosana<\/strong>: biopol\u00edmero natural derivado da quitina, extra\u00edda principalmente de exoesqueletos de crust\u00e1ceos, amplamente utilizado como suporte biocompat\u00edvel em aplica\u00e7\u00f5es biotecnol\u00f3gicas e ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reticula\u00e7\u00e3o (<\/strong><strong><em>crosslinking<\/em><\/strong><strong>)<\/strong>: processo qu\u00edmico que promove a forma\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es entre cadeias de um pol\u00edmero, aumentando sua estabilidade estrutural; no estudo, foi realizado exclusivamente com \u00e1cido c\u00edtrico, um agente n\u00e3o t\u00f3xico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rendimento de imobiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>: percentual da atividade enzim\u00e1tica original que permanece associada ao suporte ap\u00f3s o processo de imobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto: Lucas George Wendt&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foto: Ilustrativa para o artigo publicado &#8211; Cr\u00e9dito &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o Univates<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: Assessoria de Imprensa\u00a0Setor de Marketing e Relacionamento com o Mercado\u00a0Universidade do Vale do Taquari &#8211; Univates<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo desenvolvido no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biotecnologia da Univates combina quitosana, argila e uma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18187,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,40],"tags":[],"class_list":["post-18186","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-rio-grande-do-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18186"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18186\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18188,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18186\/revisions\/18188"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrotadomar.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}